a história começa aqui

sábado, 31 de março de 2012

um olhar pela janela

Se você gostou da história, deve ser uma pessoa romântica. Mas se for realista como eu, achará improvável tanta contemplação em uma criança sem dentes.

Para mim, o romantismo não é coisa de gente séria. Ninguém transforma o mundo sem encontrar as respostas para as perguntas certas.

Entre a criança que brinca na praia e a que fica sentada olhando para o mar, eu fui nenhuma delas. Eu sou a criança que, ainda sem dentes, vendo o esgoto passar na frente de casa, traça uma meta onde não cabe o descanso.

Uma criança sem dentes capaz de entender a palavra harmonia é tão improvável quanto a criança sem dentes que planeja, obstinadamente, emergir da pobreza. Uma mente pragmática e cartesiana definiria essas crianças como dois pontos fora da curva. Mas não é assim que vejo. Acredito em uma porque sou a outra, porque aquele sorriso vazio da história pertence ao meu filho e, em setenta anos de uma vida bem séria e bem boba, nada me trouxe tanta alegria e nada me fez sentir tão completo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário