Se você gostou da história, deve ser uma pessoa romântica. Mas se for realista como eu, achará improvável tanta contemplação em uma criança sem dentes.
Para mim, o romantismo não é coisa de gente séria. Ninguém transforma o mundo sem encontrar as respostas para as perguntas certas.
Entre a criança que brinca na praia e a que fica sentada olhando para o mar, eu fui nenhuma delas. Eu sou a criança que, ainda sem dentes, vendo o esgoto passar na frente de casa, traça uma meta onde não cabe o descanso.
Uma criança sem dentes capaz de entender a palavra harmonia é tão improvável quanto a criança sem dentes que planeja, obstinadamente, emergir da pobreza. Uma mente pragmática e cartesiana definiria essas crianças como dois pontos fora da curva. Mas não é assim que vejo. Acredito em uma porque sou a outra, porque aquele sorriso vazio da história pertence ao meu filho e, em setenta anos de uma vida bem séria e bem boba, nada me trouxe tanta alegria e nada me fez sentir tão completo.
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