CAP.IV
Filosofia, pra mim, sempre foi coisa de gente feia, triste, mal amada e com fortes tendências suicidas.
A verdade pertence aos melhores argumentos, e eles normalmente podem ser encontrados nas mentes mais sombrias.
Perdi-me num labirinto de idéias. Desconstruí e recriei o mundo, e ainda assim não era capaz de me encontrar diante das densas sombras do meu ego, que intelectualizado em demasia, brincava com as palavras pelo pervertido prazer de vê-las desnudas diante de si.
Estou no meu quarto. Pelado na frente de um espelho, vejo-me de corpo inteiro. Um passo adiante e me olho nos olhos, tão perto que a respiração turva a imagem refletida. Entre eu e ela não há mistérios, está tudo lá. O mundo pertence a mim e a ele ofereço amor e dor conforme a minha conveniência. Sendo eu criatura e criador e não havendo nada de interessante no universo além de mim mesmo, distraio-me na prazerosa jornada de superar o homem que eu sou para, quem sabe, encontrar o homem além de mim. Tenho tudo que a inteligência pode conquistar e o dinheiro pode comprar. Como meu papagaio Alemão, que tem asas cortadas, não tem papas na língua nem dentes no bico, todos repetem o que eu digo.
Não há portas nem janelas para além do universo que criei.
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